O que a imagem do cateterismo não mostra
O cateterismo mostra o contorno do interior da artéria preenchido pelo contraste, como uma sombra projetada. Ele não mostra a parede do vaso, onde está a placa de gordura, nem permite medir com precisão o diâmetro real da artéria.
O que é o IVUS
No ultrassom intravascular — IVUS, do inglês intravascular ultrasound —, um cateter muito fino com um transdutor de ultrassom na ponta é levado para dentro da artéria coronária e produz imagens em corte transversal da parede do vaso.
Com isso é possível medir com precisão o diâmetro e a extensão do segmento doente, ver a composição da placa — inclusive o cálcio — e, depois do implante, conferir se o stent ficou bem expandido e bem apoiado na parede. Estudos mostram que a angioplastia com stent guiada por imagem intravascular reduz eventos como reinfarto e nova obstrução, sobretudo em lesões complexas.
Quando é indicado
- Lesões do tronco da coronária esquerda e bifurcações.
- Lesões longas ou muito calcificadas.
- Problemas em stents implantados anteriormente, como reestenose ou trombose.
- Otimização do resultado da angioplastia em casos complexos.
- Pacientes com doença renal: o IVUS permite reduzir — e, em casos selecionados, até dispensar — o uso de contraste durante a angioplastia.
Limitações
- Artérias muito finas ou tortuosas e obstruções muito apertadas podem dificultar a passagem do cateter.
- O IVUS mostra a anatomia, mas não mede o efeito da obstrução sobre o fluxo. Para isso, o método indicado é a avaliação fisiológica (FFR); os dois podem ser usados no mesmo procedimento.
Como é feito
- Durante o cateterismo ou a angioplastia, com o paciente anticoagulado, um fio-guia é posicionado além do segmento a ser estudado.
- O cateter de IVUS desliza sobre o fio até depois da lesão e é recolhido de forma automática e lenta, registrando as imagens.
- As medidas orientam a escolha do diâmetro e do comprimento do stent e o ponto exato de implante.
- Depois do implante, uma nova aquisição confirma a expansão e o apoio do stent na parede; se necessário, ele é otimizado com balão.
Preparo e recuperação
São os mesmos do cateterismo ou da angioplastia, já que o IVUS é feito durante esses procedimentos e não exige cuidados adicionais.
Riscos
O risco é baixo. Pode ocorrer espasmo da artéria, geralmente revertido com medicação, e, raramente, lesão da parede do vaso.
Perguntas frequentes
O IVUS é um exame separado?
Não. É feito durante o cateterismo ou a angioplastia, pelo mesmo acesso, e acrescenta poucos minutos ao procedimento.
Qual a diferença entre IVUS e FFR?
O IVUS mostra a anatomia: o tamanho da artéria, a placa e o stent. A FFR mede a função: se a obstrução reduz o fluxo de sangue. Os dois métodos são complementares e podem ser usados no mesmo procedimento.
O IVUS usa radiação ou contraste?
O IVUS em si não usa: as imagens são geradas por ultrassom. Por isso ele também ajuda a reduzir a quantidade de contraste em pacientes com doença renal. O cateterismo, durante o qual o IVUS é feito, continua usando raio X.
Toda angioplastia precisa de IVUS?
Não. O IVUS é mais útil em lesões complexas, como as do tronco da coronária esquerda, bifurcações, lesões longas ou calcificadas, e quando há dúvida sobre o resultado do stent. A indicação é definida no procedimento.
As informações desta página são educativas e não substituem a consulta. A indicação, os riscos e os cuidados de cada procedimento são avaliados individualmente.