Dr. Igor Cardoso — Cardiologista Intervencionista

Fechamento de forame oval patente (FOP) em Teresina

Tratamento minimamente invasivo por cateter para pacientes com suspeita de AVC isquêmico sem causas identificáveis que apresentam esta alteração congênita.

Em resumo

Finalidade
Reduzir o risco de um novo AVC associado ao forame oval patente
Acesso
Veia femoral, na virilha
Anestesia
Sedação ou anestesia geral, com o procedimento guiado por ecocardiograma
Internação
Em geral, de um dia
Depois
Antiagregantes plaquetários por alguns meses

O que é o forame oval patente

Antes do nascimento existe uma passagem natural entre os átrios — as duas câmaras superiores do coração —, chamada forame oval. Na maioria das pessoas, ela se fecha nos primeiros meses de vida. Em cerca de um a cada quatro adultos, porém, permanece parcialmente aberta: é o forame oval patente, ou FOP.

Na grande maioria das vezes, o FOP não causa problema e não precisa de tratamento. Em algumas pessoas, contudo, ele permite que um pequeno coágulo formado nas veias passe do lado direito para o lado esquerdo do coração e chegue ao cérebro, causando um AVC isquêmico — a chamada embolia paradoxal.

O fechamento por cateter

O fechamento é feito com uma prótese chamada oclusor, formada por dois discos unidos por uma cintura. Levada por um cateter através de uma veia da virilha, ela é aberta com um disco de cada lado do septo — a parede que separa os átrios — e sela a passagem. Com os meses, a prótese é recoberta pelo tecido do próprio coração.

A técnica é semelhante à usada no fechamento de comunicação interatrial (CIA), outro defeito do septo entre os átrios, mas as indicações dos dois procedimentos são diferentes.

Quando o fechamento é indicado

  • Pacientes, em geral entre 18 e 60 anos, que tiveram AVC isquêmico sem outra causa identificada após investigação completa (AVC criptogênico), quando o FOP é considerado a causa provável.
  • A decisão é compartilhada com o neurologista e leva em conta as características do FOP, como o tamanho da passagem e a presença de aneurisma do septo interatrial.
  • Outras situações, como alguns casos de doença descompressiva em mergulhadores, são avaliadas individualmente.

Quando não é indicado

  • FOP descoberto por acaso, em quem nunca teve AVC.
  • AVC com outra causa identificada, como fibrilação atrial, doença das carótidas ou doença de pequenos vasos do cérebro.
  • Como tratamento de rotina para enxaqueca.
  • Infecção ativa ou presença de coágulo dentro do coração.

Quando o AVC está relacionado à fibrilação atrial, a prevenção segue outro caminho: com anticoagulantes ou, em casos selecionados, com a oclusão do apêndice atrial esquerdo.

Como o procedimento é feito

  1. Antes, a investigação confirma o FOP — em geral com ecocardiograma transesofágico e teste de microbolhas — e afasta outras causas do AVC.
  2. Sob sedação ou anestesia geral, o acesso é feito pela veia femoral, na virilha.
  3. Guiado por raio X e por ecocardiograma, o cateter atravessa o forame e a prótese é aberta, um disco de cada lado do septo.
  4. Confirmada a posição, a prótese é liberada e o cateter é retirado. O local da punção é fechado com compressão.

Preparo

  • Exames de investigação do AVC e ecocardiograma transesofágico, conforme a avaliação.
  • Ajuste de medicamentos orientado pela equipe — não suspenda nada por conta própria.
  • Tratamento de focos de infecção, inclusive dentários, antes do procedimento.
  • Jejum conforme orientação, e presença de um acompanhante.

Recuperação

  • A alta costuma ocorrer no dia seguinte.
  • Antiagregantes plaquetários são usados por alguns meses; o esquema é definido caso a caso.
  • Esforços físicos intensos devem ser evitados nos primeiros dias, conforme orientação.
  • Ecocardiogramas de controle confirmam a posição da prótese e o fechamento da passagem.
  • Nos primeiros meses, pode ser necessário antibiótico preventivo antes de procedimentos dentários.

Riscos

As complicações são pouco frequentes. Entre elas estão hematoma ou sangramento no local da punção, arritmias — principalmente episódios de fibrilação atrial, em geral passageiros e mais comuns nas primeiras semanas —, formação de coágulo sobre a prótese, deslocamento do dispositivo e, raramente, lesão da parede do coração.

Perguntas frequentes

Todo forame oval patente precisa ser fechado?

Não. O FOP é comum, presente em cerca de um quarto dos adultos, e na maioria das pessoas não causa problema. O fechamento é indicado principalmente para quem teve um AVC isquêmico sem outra causa identificada, depois de uma investigação completa e de uma avaliação conjunta com o neurologista.

A prótese fica para sempre no coração?

Sim. O oclusor permanece definitivamente no septo e, em alguns meses, é recoberto pelo tecido do próprio coração. Depois do período de recuperação, ele não limita as atividades do dia a dia.

Vou precisar tomar remédio depois do fechamento?

Por um período, sim. Em geral, antiagregantes plaquetários são mantidos por alguns meses e, depois, a necessidade de continuar é reavaliada. O esquema é definido caso a caso.

Posso fazer ressonância magnética com a prótese?

Em geral, sim. As próteses de fechamento usadas atualmente são compatíveis com ressonância magnética, mas é importante informar ao serviço de imagem e apresentar o relatório do procedimento.

As informações desta página são educativas e não substituem a consulta. A indicação, os riscos e os cuidados de cada procedimento são avaliados individualmente.

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