O que é o forame oval patente
Antes do nascimento existe uma passagem natural entre os átrios — as duas câmaras superiores do coração —, chamada forame oval. Na maioria das pessoas, ela se fecha nos primeiros meses de vida. Em cerca de um a cada quatro adultos, porém, permanece parcialmente aberta: é o forame oval patente, ou FOP.
Na grande maioria das vezes, o FOP não causa problema e não precisa de tratamento. Em algumas pessoas, contudo, ele permite que um pequeno coágulo formado nas veias passe do lado direito para o lado esquerdo do coração e chegue ao cérebro, causando um AVC isquêmico — a chamada embolia paradoxal.
O fechamento por cateter
O fechamento é feito com uma prótese chamada oclusor, formada por dois discos unidos por uma cintura. Levada por um cateter através de uma veia da virilha, ela é aberta com um disco de cada lado do septo — a parede que separa os átrios — e sela a passagem. Com os meses, a prótese é recoberta pelo tecido do próprio coração.
A técnica é semelhante à usada no fechamento de comunicação interatrial (CIA), outro defeito do septo entre os átrios, mas as indicações dos dois procedimentos são diferentes.
Quando o fechamento é indicado
- Pacientes, em geral entre 18 e 60 anos, que tiveram AVC isquêmico sem outra causa identificada após investigação completa (AVC criptogênico), quando o FOP é considerado a causa provável.
- A decisão é compartilhada com o neurologista e leva em conta as características do FOP, como o tamanho da passagem e a presença de aneurisma do septo interatrial.
- Outras situações, como alguns casos de doença descompressiva em mergulhadores, são avaliadas individualmente.
Quando não é indicado
- FOP descoberto por acaso, em quem nunca teve AVC.
- AVC com outra causa identificada, como fibrilação atrial, doença das carótidas ou doença de pequenos vasos do cérebro.
- Como tratamento de rotina para enxaqueca.
- Infecção ativa ou presença de coágulo dentro do coração.
Quando o AVC está relacionado à fibrilação atrial, a prevenção segue outro caminho: com anticoagulantes ou, em casos selecionados, com a oclusão do apêndice atrial esquerdo.
Como o procedimento é feito
- Antes, a investigação confirma o FOP — em geral com ecocardiograma transesofágico e teste de microbolhas — e afasta outras causas do AVC.
- Sob sedação ou anestesia geral, o acesso é feito pela veia femoral, na virilha.
- Guiado por raio X e por ecocardiograma, o cateter atravessa o forame e a prótese é aberta, um disco de cada lado do septo.
- Confirmada a posição, a prótese é liberada e o cateter é retirado. O local da punção é fechado com compressão.
Preparo
- Exames de investigação do AVC e ecocardiograma transesofágico, conforme a avaliação.
- Ajuste de medicamentos orientado pela equipe — não suspenda nada por conta própria.
- Tratamento de focos de infecção, inclusive dentários, antes do procedimento.
- Jejum conforme orientação, e presença de um acompanhante.
Recuperação
- A alta costuma ocorrer no dia seguinte.
- Antiagregantes plaquetários são usados por alguns meses; o esquema é definido caso a caso.
- Esforços físicos intensos devem ser evitados nos primeiros dias, conforme orientação.
- Ecocardiogramas de controle confirmam a posição da prótese e o fechamento da passagem.
- Nos primeiros meses, pode ser necessário antibiótico preventivo antes de procedimentos dentários.
Riscos
As complicações são pouco frequentes. Entre elas estão hematoma ou sangramento no local da punção, arritmias — principalmente episódios de fibrilação atrial, em geral passageiros e mais comuns nas primeiras semanas —, formação de coágulo sobre a prótese, deslocamento do dispositivo e, raramente, lesão da parede do coração.
Perguntas frequentes
Todo forame oval patente precisa ser fechado?
Não. O FOP é comum, presente em cerca de um quarto dos adultos, e na maioria das pessoas não causa problema. O fechamento é indicado principalmente para quem teve um AVC isquêmico sem outra causa identificada, depois de uma investigação completa e de uma avaliação conjunta com o neurologista.
A prótese fica para sempre no coração?
Sim. O oclusor permanece definitivamente no septo e, em alguns meses, é recoberto pelo tecido do próprio coração. Depois do período de recuperação, ele não limita as atividades do dia a dia.
Vou precisar tomar remédio depois do fechamento?
Por um período, sim. Em geral, antiagregantes plaquetários são mantidos por alguns meses e, depois, a necessidade de continuar é reavaliada. O esquema é definido caso a caso.
Posso fazer ressonância magnética com a prótese?
Em geral, sim. As próteses de fechamento usadas atualmente são compatíveis com ressonância magnética, mas é importante informar ao serviço de imagem e apresentar o relatório do procedimento.
As informações desta página são educativas e não substituem a consulta. A indicação, os riscos e os cuidados de cada procedimento são avaliados individualmente.