Dr. Igor Cardoso — Cardiologista Intervencionista

Fechamento de comunicação interatrial (CIA) em Teresina

Tratamento minimamente invasivo por cateter para pacientes com dilatação de câmaras cardíacas e insuficiência cardíaca decorrentes deste defeito congênito.

Em resumo

Finalidade
Fechar um defeito congênito no septo entre os átrios
Acesso
Veia femoral, na virilha
Anestesia
Geral ou sedação, com o procedimento guiado por ecocardiograma
Internação
Em geral, de um dia
Para quem
CIA do tipo ostium secundum, com bordas adequadas para a prótese

O que é a comunicação interatrial

A comunicação interatrial (CIA) é um defeito congênito — presente desde o nascimento — no septo que separa os dois átrios. Por esse orifício, parte do sangue que já passou pelos pulmões volta para o lado direito do coração, que passa a receber um volume extra de sangue a cada batimento.

CIAs pequenas muitas vezes não têm repercussão. Nas maiores, o desvio sobrecarrega o lado direito: o átrio e o ventrículo direitos se dilatam, a pressão nos pulmões pode aumentar e, com os anos, surgem cansaço, falta de ar, palpitações e arritmias, como a fibrilação atrial. Por isso, a CIA às vezes só é descoberta na vida adulta.

O fechamento por cateter

O fechamento é feito com uma prótese de dois discos, levada por um cateter através de uma veia da virilha e aberta de cada lado do septo, sem cirurgia. É a técnica preferida para a CIA do tipo ostium secundum — a mais comum — quando o tamanho e as bordas do defeito permitem apoiar a prótese.

O procedimento é parecido com o fechamento de forame oval patente, mas as indicações são diferentes: na CIA, o objetivo principal é tirar a sobrecarga do coração.

Quando o fechamento é indicado

  • CIA com sobrecarga das câmaras direitas, com ou sem sintomas.
  • Cansaço, falta de ar ou arritmias atribuídos ao defeito.
  • Antecedente de embolia paradoxal (AVC) relacionada à CIA.
  • Anatomia adequada, confirmada pelo ecocardiograma transesofágico.

Quando não é indicado

  • CIAs pequenas e sem repercussão, que pedem apenas acompanhamento periódico.
  • Tipos de CIA que não podem ser fechados por cateter (ostium primum, seio venoso e seio coronário) ou defeitos muito grandes, sem bordas para apoiar a prótese. Nesses casos, a correção é cirúrgica.
  • Hipertensão pulmonar grave e irreversível, em que o fechamento pode ser prejudicial.
  • Infecção ativa ou coágulo dentro do coração.

Como o procedimento é feito

  1. O ecocardiograma transesofágico mede o defeito e avalia as bordas. Em adultos, pode ser feito antes um cateterismo cardíaco para avaliar as artérias coronárias e medir a pressão nos pulmões.
  2. Sob anestesia geral ou sedação, o acesso é feito pela veia femoral, na virilha.
  3. Guiado por raio X e ecocardiograma, o cateter atravessa o defeito; em alguns casos, o tamanho é confirmado com um balão.
  4. A prótese é aberta, um disco de cada lado do septo. Confirmada a posição, ela é liberada e o cateter é retirado.

Preparo

  • Ecocardiograma transesofágico e demais exames pedidos na avaliação.
  • Ajuste de medicamentos orientado pela equipe — não suspenda nada por conta própria.
  • Tratamento de focos de infecção, inclusive dentários, antes do procedimento.
  • Jejum conforme orientação, e presença de um acompanhante.

Recuperação

  • A alta costuma ocorrer no dia seguinte.
  • Antiagregantes plaquetários são usados por alguns meses.
  • Nos primeiros dias, evite esforços físicos intensos, conforme orientação.
  • Ecocardiogramas de controle acompanham a posição da prótese e a redução das câmaras direitas.
  • Nos primeiros meses, pode ser necessário antibiótico preventivo antes de procedimentos dentários.

Riscos

As complicações são pouco frequentes: hematoma ou sangramento no local da punção, arritmias geralmente passageiras, deslocamento da prótese, formação de coágulo sobre ela e, raramente, erosão — uma lesão da parede do coração causada pelo dispositivo, que exige tratamento imediato.

Perguntas frequentes

A CIA pode ser descoberta na vida adulta?

Sim. Como muitas vezes não dá sintomas na infância, a CIA pode ser diagnosticada só na vida adulta, durante um ecocardiograma feito por outro motivo ou na investigação de cansaço, arritmia ou sopro.

Toda CIA pode ser fechada por cateter?

Não. O fechamento por cateter é indicado para a CIA do tipo ostium secundum, a mais comum, quando o tamanho e as bordas do defeito permitem apoiar a prótese. Outros tipos, ou defeitos sem bordas adequadas, são corrigidos com cirurgia.

Qual a diferença entre CIA e forame oval patente?

Os dois ficam no septo entre os átrios, mas são diferentes. A CIA é uma falha no tecido do septo, com passagem contínua de sangue que pode sobrecarregar o coração; o forame oval patente é uma passagem em forma de fenda, que normalmente não sobrecarrega o coração e só preocupa quando associado a AVC.

Depois do fechamento, preciso de acompanhamento?

Sim. Ecocardiogramas de controle confirmam a posição da prótese e acompanham a redução das câmaras direitas, além das consultas periódicas. Os antiagregantes são usados por alguns meses.

As informações desta página são educativas e não substituem a consulta. A indicação, os riscos e os cuidados de cada procedimento são avaliados individualmente.

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