Dr. Igor Cardoso — Cardiologista Intervencionista

Oclusão do apêndice atrial esquerdo em Teresina

Implante por cateter de prótese que fecha a principal região de formação de coágulos na arritmia fibrilação atrial, ajudando a prevenir o AVC isquêmico.

Em resumo

Finalidade
Prevenir o AVC na fibrilação atrial em quem não pode usar anticoagulante por longo prazo
Acesso
Veia femoral, com passagem pelo septo entre os átrios
Anestesia
Geral ou sedação, com o procedimento guiado por ecocardiograma
Internação
Em geral, de um dia
Depois
Medicação antitrombótica por algumas semanas ou meses

Fibrilação atrial e AVC

Na fibrilação atrial, a arritmia mais comum na prática clínica, os átrios deixam de se contrair de forma organizada. O sangue fica mais parado em seu interior e pode formar coágulos que, se migrarem para o cérebro, causam um AVC isquêmico.

Na fibrilação atrial não relacionada a doença valvar, a maior parte desses coágulos se forma no apêndice atrial esquerdo, uma pequena bolsa ligada ao átrio esquerdo.

O que é a oclusão do apêndice atrial esquerdo

O tratamento padrão para prevenir o AVC na fibrilação atrial é o uso de anticoagulantes. Para quem não pode usá-los por longo prazo, a oclusão do apêndice atrial esquerdo é uma alternativa: uma prótese implantada por cateter fecha a entrada do apêndice e isola a principal fonte de coágulos.

Assim como o fechamento de forame oval patente, é um procedimento feito por cateter com o objetivo de prevenir o AVC — mas em outra situação clínica e por outro mecanismo.

Quando é indicada

  • Fibrilação atrial com risco elevado de AVC e contraindicação ao uso prolongado de anticoagulantes — por exemplo, por sangramento grave anterior, cerebral ou digestivo.
  • Alto risco de sangramento com o anticoagulante, ou dificuldade de mantê-lo com segurança, em casos selecionados.

Quando não é indicada

  • Pacientes que podem usar anticoagulante com segurança: nesse caso, o medicamento continua sendo o tratamento de escolha.
  • Fibrilação atrial associada a estenose mitral importante ou a prótese valvar mecânica, situações que exigem anticoagulação de qualquer forma.
  • Necessidade de anticoagulante por outro motivo, como trombose venosa.
  • Coágulo já presente no apêndice ou no átrio esquerdo.
  • Anatomia do apêndice desfavorável para as próteses disponíveis.

Como o procedimento é feito

  1. A anatomia do apêndice é estudada antes com ecocardiograma transesofágico ou angiotomografia.
  2. Sob anestesia, o cateter é introduzido pela veia femoral e chega ao átrio esquerdo por meio de uma punção no septo entre os átrios — a mesma via usada no MitraClip.
  3. Guiada por ecocardiograma e raio X, a prótese é posicionada na entrada do apêndice e aberta.
  4. Testes confirmam a estabilidade e a vedação; a prótese é então liberada e o cateter é retirado.

Preparo

  • Exames de imagem do apêndice e exames de sangue pedidos na avaliação.
  • Ajuste de anticoagulantes e antiagregantes orientado pela equipe.
  • Jejum conforme orientação, e presença de um acompanhante.

Recuperação

  • A alta costuma ocorrer no dia seguinte.
  • Por algumas semanas ou meses, até que a prótese seja recoberta pelo tecido do coração, é usada medicação antitrombótica, definida caso a caso.
  • Um exame de imagem de controle confirma a vedação; a partir dele, define-se a suspensão do anticoagulante.
  • Nos primeiros meses, pode ser necessário antibiótico preventivo antes de procedimentos dentários.

Riscos

Entre as possíveis complicações estão o acúmulo de líquido ao redor do coração (derrame pericárdico), o deslocamento da prótese, a formação de coágulo sobre ela, vazamento residual ao redor da prótese, sangramento no local de acesso e, raramente, AVC durante o procedimento.

Perguntas frequentes

Depois da oclusão, posso parar o anticoagulante?

Na maioria dos casos, esse é o objetivo do procedimento. Depois do implante, é feito um esquema de medicação por algumas semanas ou meses e, se o exame de controle confirmar a vedação, o anticoagulante pode ser suspenso. Quem precisa de anticoagulante por outro motivo continua a usá-lo.

A oclusão trata a fibrilação atrial?

Não. A arritmia continua; o procedimento reduz o risco de AVC causado por coágulos formados no apêndice atrial. O controle do ritmo ou da frequência cardíaca segue com medicamentos ou outros tratamentos, conforme o caso.

Quem é candidato ao procedimento?

Principalmente pacientes com fibrilação atrial e alto risco de AVC que não podem usar anticoagulantes por longo prazo, por exemplo por terem tido um sangramento grave. A decisão é tomada após avaliação clínica e exames de imagem do apêndice.

É preciso fazer cirurgia?

Não. A prótese é implantada por cateter, através de uma veia da virilha, sem abrir o tórax. A internação costuma ser curta.

As informações desta página são educativas e não substituem a consulta. A indicação, os riscos e os cuidados de cada procedimento são avaliados individualmente.

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